Encontro Nacional continua com debates sobre independência financeira e valorização feminina no MP

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A autonomia financeira da mulher e a valorização feminina no Ministério Público brasileiro foram o destaque, nesta quinta-feira, 14/11, no segundo dia de programação do X Encontro Nacional do MP Brasileiro de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Com duas palestras realizadas pela parte da manhã, o evento prosseguiu à tarde, no auditório Carlos Alberto Bandeira de Araújo, sede do Ministério Público do Amazonas, com a apresentação de outras abordagens do problema que atinge mulheres de todas as categorias sociais.

A empresária Michelle Meireles abriu a programação, apresentando a palestra Liberdade Financeira: um combate à violência contra a mulher. Empreendedora com 15 anos de experiência em gerenciamento empresarial, com atuação no Brasil e no exterior, Michelle Meireles falou sobre sua história de vida, desde que saiu de casa, aos 14 anos de idade, até os dias de hoje, na luta pela superação da pobreza até o reconhecimento profissional num mercado de trabalho marcadamente masculino.

Segundo a palestrante, hoje, existem 24 milhões de mulheres empreendedoras no Brasil, das quais, apenas 4% ocupam cargos de CEO e 35% exercem cargos de chefia. "Tomei conhecimento mais efetivo da violência doméstica por meio das palestras sobre empreendedorismo, que realizo junto ao Sebrae, para mulheres pobres, na Bahia. Logo percebi que a desigualdade está na baixa autoestima das mulheres e isso pode ser resolvido por meio da autonomia financeira, que dá poder de decisão às mulheres".

Violência Institucional de Gênero

A Promotora de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo, Maria Gabriela Prado Manssur, apresentou a palestra Violência Institucional de Gênero, apresentando um recorte da presença feminina no Ministério Público brasileiro, antes e depois do Movimento Nacional de Mulheres do MP, criado no início de 2018, para aumentar a representatividade feminina e combater a desigualdade institucional de gênero no órgão ministerial brasileiro, com vistas à melhoria da prestação jurisdicional às vítimas da violência doméstica. "Foi uma revolução. Em menos de um mês já tínhamos reunidos mais de quinhentas mulheres", aponta a Promotora de Justiça Gabriela Manssur.

Por meio de fotos e recortes do noticiário, Manssur revelou a falta de visibilidade das mulheres no âmbito do Ministério Público brasileiro, apontando os prejuízos disso à prestação da Justiça às mulheres vítimas da violência doméstica de todo o país. "Enfrentamos as mesmas barreiras para ingressar no MP, somos 40 por cento dos membros ministeriais, mas o trabalho que desenvolvemos não tem visibilidade pela falta de ocupação de espaços", revela, apresentando fotos de diversos eventos, nos quais, as mesas são ocupadas, essencialmente por homens.

O enfrentamento da desigualdade de gênero no âmbito ministerial levou ao estabelecimento de metas, com vistas à valorização do trabalho da mulher, por meio da visibilidade e da ocupação de espaços. "A violência institucional de gênero é obstáculo que impede as mulheres de acessar os cargos internos, nas instituições, e, da mesma forma, a violência política, que utiliza discursos de ódio contra adversários, valendo-se de discrimnação e preconceito. Essas violências, como o preconceito e os mitos, desvalorizam o trabalho e a capacidade feminina em todos as esferas de poder e atuação política e impedem que elas se apresentem para a ocupação de cargos, seja na política ou no setor público. Precisamos lutar contra isso, e essa luta deve começar pelas próprias mulheres", destacou Manssur.

Programação

Ainda na programação desta quinta-feira, serão realizadas as palestras Stalking e Cyberstalking, com a Promotora de Justiça do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul, Ana Lara Camargo de Castro; a proteção integral da mulher e a efetividade de responsabilização criminal do autor da violência, com a Promotora de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte, Érica Canuto; Violência Doméstica: É possível vencê-la, com a Promotora de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro, Carla Araújo; e Experiência Pessoal, com a atriz e ativista Cristiane Machado.

Texto: Milene Miranda
Fotos: Hiraílton Gomes

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