Medida visa garantir maior segurança na delegacia local e maior qualidade no sistema prisional para os detentos
Após um episódio de motim, ocorrido no dia 12 de junho de 2026, que evidenciou precariedades nas condições estruturais e administrativas da 69ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Guajará, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) obteve, junto à Justiça, a transferência de 14 presos ligados à facção Comando Vermelho para Manaus. Desse total, 10 foram transferidos na segunda-feira (22/06).
O MP inspecionou a carceragem da delegacia após o episódio, identificando danos estruturais nas celas, paredes e na cobertura do corredor. Além disso, a Promotoria identificou que os custodiados utilizaram objetos para causar curto-circuito, prejudicando a energia e o sinal de internet da unidade policial.
Também foram analisados registros fotográficos que mostravam presos tentando acessar o telhado para chegar à área externa, evidenciando tentativa de fuga.
O documento detalha, ainda, superlotação na DIP, uma vez que a unidade dispõe de apenas duas celas, mas abrigava 45 presos no momento do motim. Somado a isso, o MP destacou como a facção Comando Vermelho continuava operando de dentro da delegacia, introduzindo celulares e ameaçando guardas municipais.
De acordo com o despacho, a Justiça já havia determinado a transferência de presos em maio deste ano, mas a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) se recusou a recebê-los, alegando falta de vagas em Manaus.
Segundo o promotor de Justiça Ney Costa Alcântara de Oliveira Filho, responsável pelo pedido de transferência, a decisão é inédita no cenário de Guajará.
“Esta é a primeira vez na história do município que integrantes de facções criminosas são transferidos do município para a capital amazonense, marcando um importante avanço na operacionalização das ações de segurança pública na região”, comentou.
A partir do pedido do MP, o juiz David Nicollas Vieira Lins concedeu liminar determinando que o estado transferisse 14 presos para Manaus. A decisão também fixou multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento, a ser aplicada pessoalmente às Secretarias de Estado de Segurança Pública (SSP) e de Administração Penitenciária (Seap) e do Executivo estadual.
Motim
Na tarde de 12 de junho de 2026, cerca de 20 detentos deflagraram um motim nas celas 1 e 2 da 69ª DIP de Guajará. Os apenados eram, em sua quase totalidade, integrantes ou vinculados à organização criminosa Comando Vermelho. Sete já tinham sido transferidos para a capital.
Após a estabilização do cenário, a autoridade policial responsável reforçou a necessidade de transferência imediata de mais sete custodiados para Manaus, incluindo os apontados como líderes do motim e outros detentos identificados como participantes ou apoiadores.
Segundo o relatório, a permanência desses presos na unidade representava risco concreto de novos episódios de violência, comprometendo a segurança dos servidores, da população local e das instalações públicas.

Texto: Karla Ximenes
Fotos: Divulgação/MPAM
