O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) manifesta profundo repúdio à charge publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, que utilizou, de maneira inadequada e insensível, a morte da juíza Mariana Francisco Ferreira como instrumento de ironia e ataque generalizado.

A magistrada, de apenas 34 anos, faleceu após complicações decorrentes de procedimento de coleta de óvulos para fertilização in vitro, circunstância que exige respeito, humanidade e empatia diante da dor de familiares, amigos e colegas de profissão.

O episódio gerou comoção nacional, especialmente entre mulheres que convivem diariamente com os desafios de conciliar carreira, responsabilidades institucionais e projetos legítimos de vida pessoal e familiar. Transformar uma tragédia humana em elemento de deboche ou crítica desumanizada ultrapassa os limites do respeito e da responsabilidade ética que devem nortear o debate público.

O MPAM reafirma seu compromisso com a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão e o direito à crítica — pilares fundamentais do Estado Democrático de Direito. Contudo, tais garantias não podem ser dissociadas do dever de sensibilidade e respeito à dignidade humana, sobretudo em situações marcadas pelo luto e pela dor.

A banalização do sofrimento humano e a exposição desrespeitosa da memória da magistrada contribuem para a perpetuação de formas de violência simbólica que atingem, de maneira recorrente, as mulheres em espaços profissionais e institucionais.

Neste momento, o Ministério Público do Amazonas se solidariza com os familiares, amigos e colegas da juíza Mariana Francisco Ferreira, reiterando seu compromisso permanente com a defesa da dignidade da pessoa humana, do respeito às mulheres e do combate a todas as formas de discriminação, desumanização e violência simbólica.

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