MPAM
"Ainda existem problemas, mas o Tribunal do Amazonas, avançou", diz Eliana Calmon
Corregedora Nacional diz em coletiva que está "encantada com o progresso da Justiça no Amazonas"
A corregedora Nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, reconheceu o trabalho que vem sendo feito pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), principalmente no que diz respeito à modernização das comarcas do interior. “Eu estou encantada com o progresso da Justiça. Estamos há praticamente um ano com uma parceria muito boa com o Tribunal de Justiça, que não tem poupado esforços no sentido de organizar-se administrativamente com as novas práticas de gestão, sempre preocupado em seguir as metas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e isto tem resultados positivos”, disse a ministra, durante entrevista coletiva concedida na sede do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
A ministra desembarcou em Manaus na noite de quarta-feira e, na quinta, em companhia do governador Omar Aziz e do presidente do TJAM, João Simões, seguiu para o município de Tefé onde participou da solenidade de lançamento da pedra fundamental do Fórum e da inauguração do novo Fórum de Maraã. A presidente do TRE-AM, desembargadora Graça Pessôa Figueiredo e a corregedora de Justiça, Maria do Perpétuo Socorro Guedes Moura também integraram a comitiva.
Eliana Calmon revelou na entrevista que presenciou, nas duas cidades que visitou, juízes que estão cumprindo os seus deveres, as suas metas, de forma que “isso me deixa muito satisfeita com o resultado positivo que eu colho”.
― Tive agora uma reunião com os senhores desembargadores, onde cada um prestou contas e demonstrou satisfação com as atividades desenvolvidas. De forma que, a avaliação que eu faço, é de que a Justiça do Estado tem efetivamente melhorado e cumprido aqueles ditames e as metas preconizadas pelo CNJ – afirmou a corregedora Nacional.
PROCESSOS DISCIPLINARES
Sobre os processos disciplinares que estavam parados, contra alguns juízes do Amazonas, a ministra informou que alguns já chegaram ao fim, outros ainda estão em procedimento e outros ainda em sindicância. Segundo ela, existe uma preocupação para que a investigação seja bem mais específica quando se trata de uma autoridade.
― Quando se trata de um desembargador, por exemplo, quando se trata de um juiz, temos todo o cuidado para não sermos levianos. Mas, neste correr de ano nós já fizemos a finalização de alguns processos que foram sindicados pelo meu antecessor, o ministro Gilson Dipp, e os outros tantos que vinham sendo investigados continuam ainda em regime de sindicância. São processos sigilosos, só vindo a público ostensivamente quando esta sindicância é levada para o Colegiado, transformada em PAD (Processo Administrativo Disciplinar) ou arquivada por provas insuficientes no entender do Colegiado do CNJ. Na realidade os processos são demorados sim, mas tem funcionado. Vários deles já chegaram ao seu fim – explicou a ministra.
Perguntada se mesmo com os déficits o Tribunal de Justiça do Amazonas ainda conseguiu cumprir as metas do CNJ, Eliana Calmon respondeu que alguns juízes estão conseguindo alcançar as metas sim. O Tribunal também. Alguns magistrados, alguns desembargadores estão conseguindo alcançar essas metas, embora falte muito recurso.
― Na realidade o que eu observo é que a Justiça Brasileira, no geral, está com a sua 1ª Instância sucateada sobre o ponto de vista do trabalho de Cartório, trabalho burocrático. O Amazonas também se inclui. Faltam funcionários, faltam equipamentos e isso tudo está sendo providenciado – disse Calmon, observando que o grande problema no Amazonas é a distância, que, para ela, é realmente um “obstáculo natural, mas um obstáculo que é efetivo”.
― O quê que se está fazendo? Informatizando todas as varas. Agora mesmo acabei de ouvir do desembargador (Paulo Lima), encarregado do serviço de informática, que várias antenas já foram instaladas. Já foram construídos vários suportes para essas antenas, que levarão a internet e a possibilidade de informatização aos cartórios do interior. Estão faltando apenas 14 comarcas para que todo o interior esteja interligado com o Tribunal e conectado com o mundo.
Para Eliana Calmon, somente com a virtualização será possível ao magistrado assumir uma posição de vanguarda, que é exatamente entrar na era da comunicação. “Isto é muito salutar para nós, e isso foi feito neste último ano, estas antenas começaram a surgir a partir deste ano. Então, isso é um grande avanço. Também a administração do Tribunal conseguiu um repasse considerado por parte do Governo do Estado e, desta forma, foi possível organizar a sua administração, as suas finanças, as suas obrigações para com uma série de fornecedores, uma série de débitos. Agora será possível seguir na administração com um pouco mais de tranquilidade. Muitas coisas têm sido feitas nesse campo da administração”, disse a Corregedora.
UMA CONSTANTE NOS ESTADOS
A ministra reconhece que o Amazonas ainda está atrasado, mas não em relação aos outros Estados. Segundo ela, de uma forma geral, a Justiça Estadual Brasileira está com um déficit muito grande de servidores, de estrutura adequada por falta de recursos.
― Isso é uma constante em quase todos os Estados. Posso dizer que excluo apenas o Rio de Janeiro, que é um estado que tem recursos suficientes para ter uma estrutura, mesmo assim ainda existem outros problemas de gastos que são às vezes um pouco mais ou um pouco menos para a 1ª Instância; e o Rio Grande do Sul, que também é um estado que tem uma estrutura bem razoável. Mas nós temos grandes problemas, por exemplo, no Estado de São Paulo que atravessa grandes dificuldades pelo gigantismo e pela falta de recursos adequados para as necessidades.
Eliana Calmon destacou que o importante são as providências que são tomadas. De acordo com a ministra, a dificuldade maior é quando “não vê uma luz no fim do túnel”. Nesse ponto ela reconheceu o esforço da administração do presidente João Simões.
― Todas as vezes que a gente encontra a boa vontade e a competência do administrador, porque as vezes só a boa vontade não basta, é preciso competência também para solucionar adequadamente os problemas. E eu não vejo preocupação em problemas que têm uma solução já definida – disse a ministra, citando como exemplo o concurso público que o TJAM começa a realizar neste domingo. O TJAM realiza no próximo domingo (09/10) o primeiro de uma série de concursos, abrangendo seis municípios da calha do Juruá (Eirunepé, Envira, Ipixuna, Guajará, Carauari e Itamarati), na 9ª Região. Um total de 5,5 mil pessoas se inscreveram para as 30 vagas disponíveis. Durante a coletiva, o presidente do TJAM, João Simões, também anunciou a realização de concurso para o preenchimento de 500 vagas para servidores até o final do ano.
(Fonte: TJA)
Meia passagem: MP-AM garante direitos dos estudantes
Ação Penal: TJAM marca depoimento de Cândido Honório
O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) marcou, para o próximo dia 17, o depoimento do promotor de Justiça Cândido Honório Ferreira Filho, na ação penal na qual ele é réu, acusado de integrar organização criminosa de narcotráfico e corrupção de agentes públicos. A informação é do vice-presidente do TJAM e presidente em exercício da instituição, desembargador Domingos Chalub.
O procurador do Ministério Público do Estado (MPE) João Bosco Sá Valente e os advogados de Cândido Honório também deverão comparecer ao interrogatório. A ação foi impetrada pelo Conselho Superior do Ministério Público do Estado (MPE) e tem como relator o desembargador da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Rafael Romano. O processo corre em segredo de Justiça.
Em agosto de 2010, Romano ouviu testemunhas de acusação do promotor. O conteúdo dos depoimentos e o número de testemunhas não foram divulgados pelo desembargador. Por se tratar de envolvimento de membro do Ministério Público do Estado (MPE), o processo decorre [sic] em segunda instância e será julgado pelo Tribunal Pleno.
Rafael Romano ouviu primeiro as testemunhas de acusação. Em seguida, serão ouvidas as testemunhas de defesa e, por último, os réus. O relator não entrou em detalhes sobre a data do julgamento.
O promotor foi afastado de suas funções por tempo indeterminado, após decisão do Conselho Superior do Ministério Público do Estado (MPE). O Conselho instaurou também aprovou a autorização para uma ação para expulsar o promotor da instituição, por conta de indícios que a organização a qual Honório é suspeito de estar ligado ‘dava’ [sic] cobertura aos interesses do empresário Mouhamad Mourad.
A decisão do conselho do MPE veio um mês depois do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) assumir o andamento do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que apura a ligação de Honório com um esquema de roubo de cargas e adulteração de documentos. O pedido de avocação foi solicitado pela Corregedoria Nacional do CNMP, em 2009, depois da constatação de que o MPE parou de investigar o promotor.
Honório foi denunciado pelo MPE em junho de 2010. O TJAM acatou a denúncia com base nos Artigos 321 e 71 do Código Penal, ou seja, “patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário” e por “omissão”.
Fonte: jornal Diário do Amazonas de 12 de janeiro de 2011
O expediente ministerial do MPE tem novo horário a partir de hoje. Vai das 08:00hs às 15:00hs.
Detalhes sobre novo horário, em instantes.MP instaura procedimento para acompanhar políticas públicas voltadas à saúde mental de crianças e adolescentes
A iniciativa tem como base o atual contexto no estado, marcado pelo aumento de casos de sofrimento psíquico, tristeza persistente, isolamento social e comportamentos de risco
Com o objetivo de acompanhar e fortalecer as políticas públicas voltadas a crianças e ao adolescente em todo o Estado, o Ministério Público do Amazonas (MPAM), por meio do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Infância e Juventude (CAO-IJ), instaurou procedimento de gestão administrativa visando enfrentar o cenário preocupante no campo da saúde mental infantojuvenil.
A iniciativa tem como base o atual contexto no estado, marcado pelo aumento de casos de sofrimento psíquico, tristeza persistente, isolamento social e comportamentos de risco entre crianças e adolescentes brasileiros.
Além disso, a saúde mental de crianças e adolescentes é um direito fundamental assegurado pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), devendo ser garantido com absoluta prioridade por meio de medidas eficazes e integradas.
Para a coordenadora do CAO-IJ, promotora Romina Carmen Brito Carvalho, a instauração do procedimento é fundamental para garantir que crianças e adolescentes tenham acesso a um atendimento adequado em saúde mental, “com serviços estruturados, fluxos definidos e atuação integrada da rede de proteção, evitando desassistência e respostas improvisadas diante de situações cada vez mais graves”.
Entre as principais medidas está o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) responsável pela organização do cuidado em saúde mental. O MP enfatiza que o atendimento deve ocorrer, com prioridade, em serviços comunitários, com acompanhamento contínuo.
Destaca-se, ainda, a necessidade de implantação e ampliação das unidades de acolhimento infantojuvenil (UAI), que acolhem, de forma temporária, crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade decorrente de sofrimento psíquico ou uso abusivo de substâncias psicoativas, além de oferecer cuidado integral em ambiente comunitário.
Atribuições
O CAO-IJ ficará responsável pela elaboração e disponibilização de materiais técnicos orientativos, contendo diretrizes da Raps, parâmetros para implantação das UAI e modelos de fluxos. A proposta é padronizar e qualificar a atuação das Promotorias em todo o estado.
Está prevista ainda a realização de reuniões técnicas, encontros institucionais e capacitações voltadas à temática, com o objetivo de promover o alinhamento institucional, o intercâmbio de experiências e a construção de estratégias conjuntas de atuação.
A análise e os estudos desses dados permitirá identificar déficits estruturais, especialmente no que se refere à ausência de UAI e à falta de fluxos definidos, auxiliando na adoção de medidas institucionais mais amplas.
O acompanhamento será contínuo, podendo resultar na expedição de recomendações, proposição de políticas públicas e definição de estratégias coordenadas de atuação do Ministério Público em nível estadual.
Texto: Orlando Menezes
Foto: Freepik
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